Usada como alucinógeno, droga pode oferecer esperança para pessoas com depressão resistente

Usada como alucinógeno, droga pode oferecer esperança para pessoas com depressão resistente; entenda

Estudo recente mostrou que pessoas com depressão que não respondiam a tratamentos orais apresentaram melhora após receberem injeções de ketamina

A ketamina (ou cetamina) é uma droga conhecida por seu uso recreativo e por seu efeito anestésico. Entretanto, estudos recentes mostram que ela pode ser uma boa opção para pessoas com depressão resistente, aquela que não responde a tratamentos orais tradicionais.

De acordo com um estudo australiano publicado recentemente, pessoas com depressão resistente (que já tentaram pelo menos dois antidepressivos sem sucesso) apresentaram melhora quando receberam injeções de ketamina. A pesquisa envolveu 184 voluntários de centros de estudo na Austrália e na Nova Zelândia e comparou a eficácia da ketamina injetada sob a pele em comparação com o midazolam, um benzodiazepínico injetável.

O tratamento consistia na injeção de uma das duas substância, duas vezes por semana durante quatro semanas. O estudo era duplo-cego, ou seja, nem os participantes do estudo nem aqueles que avaliaram os resultados sabiam quem estava recebendo o quê.No início do estudo, todos os participantes tinham uma pontuação clínica de depressão de pelo menos 20 na Escala de Avaliação de Depressão de Montgomery-Asberg, o que é classificado como depressão moderada. Uma melhora equivaleria a pontuação inferior a 11, indicando uma mudança de depressão para remissão.

Os resultados mostraram que após quatro semanas, 19,6% dos participantes que receberam a ketamina estavam em remissão, em comparação com apenas 2% do grupo do midazolam. Outra maneira menos rigorosa de medir a eficácia do tratamento é procurar uma redução pela metade na pontuação da depressão. Nesse caso, a diferença foi ainda maior: 29% para aqueles no grupo da ketamina em comparação com 4% entre os que receberam o benzodiazepínico.

No entanto, quatro semanas após o término do tratamento, houve apenas uma melhora sustentada limitada dos sintomas no grupo da ketamina. Isso sugere que o tratamento pode ser necessário por um período mais longo.

Por outro lado, ainda não se sabe se o efeito antidepressivo da ketamina se sustenta no longo prazo. Além disso, existe outras formas de administrar a droga, incluindo uma versão em spray nasal, chamada escetamina, que já é aprovada para o tratamento de depressão resistente.

O que é ketamina?

A ketamina é um poderoso anestésico utilizado há mais de 50 anos. A substância também é utilizada como droga recreativa ilícita por seu efeito psicodélicos. Drogas psicodélicas são aquelas que alteram drasticamente alguns neurotransmissores no cérebro para criar uma mudança profunda na percepção, humor e ansiedade.

Estudos em animais mostraram que a ketamina aumentou os níveis de certas substâncias químicas cerebrais, como a dopamina, em até 400%. Isso deu origem a investigações sobre o potencial terapêutico da droga contra doenças mentais, como depressão resistente e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

Devido aos riscos de uso, como aumento da sensação de suicídio, a administração é feita em ambiente controlado, sob supervisão.

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